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Pesquisa com bactérias traz nova descoberta para tratar e prevenir a diabetes

A Diabetes Mellitus (DM) é uma doença que atinge vários sistemas do organismo e é relacionada com o nosso metabolismo. A Diabetes surge quando a insulina, hormônio responsável por “guardar” a glicose dentro das células, não trabalha direito e assim acumulamos glicose no sangue.

Existem dois tipos de diabetes, o mais comum é o tipo 2 e está relacionado a obesidade, sedentarismo e acúmulo de gordura na região abdominal que irão levar à resistência à ação da insulina. Ou seja, mesmo estando presente no organismo ela não consegue trabalhar. O tipo 1, mais comum entre os jovens e ocorre quando o pâncreas sofre lesões e não consegue produzir quantidade suficiente de hormônio, por isso os portadores deste tipo precisam receber doses de insulina diariamente.

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Recentemente, pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP descobriram que algumas bactérias intestinais podem lesionar o pâncreas e contribuir para o desenvolvimento do tipo 1 da diabetes. Estes microrganismos rompem a barreira do intestino e chegam aos linfonodos presentes no pâncreas, lá são reconhecidos como ameaças pelo sistema imunológico que responde causando uma inflamação que leva à destruição dos locais de produção de insulina.

Além das bactérias ruins citadas no estudo, nosso organismo está repleto de bactérias do bem, principalmente as localizadas no trato digestório. Esses microrganismos são os probióticos que juntos formam a microbiota intestinal e produzem inúmeros benefícios para o homem como o controle do nível de colesterol, melhora a absorção de minerais, aumenta a digestibilidade de lactose, previne alguns tipos de câncer, entre outros.

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Para que os probióticos trabalhem de maneira saudável, é importante a ingestão de certos alimentos prébioticos como chicória, alho-poró, alho, bananas, cebola, tomate e beterraba. Estes componentes alimentares não são digeridos pelo organismo, mas alimentam as bactérias do bem e ainda podem inibir a multiplicação dos microorganismos, patogênicos, ou seja, podem inibir o crescimento das bactérias que causaram o diabetes na pesquisa.

Nesta pesquisa, os animais diabéticos foram tratados apenas com antibióticos de grande abrangência, porém, outros pesquisadores já estudaram o uso de probióticos e prébioticos no controle das bactérias causadoras de diabetes tipo 1, como um artigo publicado no Jornal da Associação Americana de Médicos Pediatras que afirma que o uso de probióticos durante o primeiro ano da criança pode prevenir o diabetes tipo 1 e melhorar a função do pâncreas. A Associação Americana de Diabetes (ADA) também estudou esta relação e viu que um tipo modificado de probiótico foi capaz de melhorar os níveis de glicose em adultos.

Diante disso, temos uma enorme janela de oportunidades para prevenção da doença e melhora da qualidade de vida dos pacientes diabéticos através de tratamentos que poderão ser feitos com o uso de medicamentos antibióticos específicos ou através da alimentação saudável contendo pré e probióticos naturais.

 

Referências:

ADA – AMERICAN DIABETIC ASSOCIATION. Classification and Diagnosis of Diabetes. Diabetes Care. 2015.

NICODEMUS, K. K.; FOLSOM, A. R. Type 1 and type 2 diabetes and incident hip fractures in postmenopausal women. Diabetes Care. 2001.

COSTA, F. R. C; FRANÇOZO, M. C. S.; OLIVEIRA, G. G.; IGNACIO, A.; CASTOLDI, A.; ZAMBONI, D. S.; RAMOS, S. G.; CÂMARA, N. O.; ZOETE, M. R.; PALM, N. W.; FLAVELL, R. A.; SILVA, J. S.; CARLOS, D. Gut microbiota translocation to the pancreatic lymph nodes triggers NOD2 activation and contributes to T1D onset. The Journal of Experimental Medicine. 2016.

SAAD, Susana Marta Isay. Probióticos e prebióticos: o estado da arte. Rev. Bras. Cienc. Farm. 2006 .

UUSITALO, U.; LIU, X.; YANG, J. Association of Early Exposure of Probiotics and Islet Autoimmunity in the TEDDY Study. JAMA Pediatr. 2016.

DUAN, F. F.; LIU, J. H.; MARCH, J. C.; Engineered Commensal Bacteria Reprogram Intestinal Cells Into Glucose-Responsive Insulin-Secreting Cells for the Treatment of Diabetes. Diabetes. 2015.

 

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luiza amorimAutora: Luiza de Amorim é graduada em nutrição e mestranda em Nutrição e Saúde da Universidade Federal de Goiás. Trabalha como pesquisadora da relação entre do chá verde com diabetes e a densidade óssea. É professora de cursos técnicos em cozinha na área de controle de qualidade de alimentos e nutrição e dietética. Adora comida, gente e ensinar!

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