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Dieta sem glúten e sem lácteos, modismo?

Dieta sem glúten e lácteos virou mesmo moda, está deixando de ser, mas ainda tem muita gente que está confusa… O super especialista (e querido) médico Frederico Lobo foi convidado pelo jornal A Redação para explicar ao leitores o motivo de tanto barulho.

Adorei o artigo e, permissão concedida pelo autor, republicamos aqui o material na íntegra – e originalmente publicado nesse link aqui, ó!

Beijos,
Carol!

Dieta sem glúten e sem lácteo: moda ou necessidade?

Dieta sem glúten e sem lácteos virou moda nos consultórios de ortomoleculares e nutricionistas funcionais. Mas o que é glúten? É uma proteína composta pela mistura de  duas proteínas: gliadina e glutenina, ambas estão presentes nas sementes de trigo, cevada, centeio e em menor quantidade na aveia.

Acreditava-se que apenas indivíduos portadores de Doença Celíaca (DC) possuíam intolerância imunológica ao glúten. Hoje sabemos que existe um espectro de doenças que levam o indivíduo a não tolerá-lo, sendo a Sensibilidade ao Glúten (SG) a mais comum, também denominada de sensibilidade tóxico química ao glúten, devido o efeito devastador na mucosa intestinal.

Na DC os portadores criam anticorpos contra o glúten, quando o glúten chega ao intestino dos celíacos, anticorpos impedem sua absorção e de outras proteínas. Já na SG ocorre uma intolerância imunológica ao glúten que gera uma reação inflamatória com formação de opióides (substâncias neurotóxicas), como a gluteomorfina que pode desencadear o vício e que atua no cérebro de maneira semelhante à morfina; ou ainda formando imunocomplexos que podem gerar inflamação em vários sistemas.

Nos portadores de SG existem sintomas, que variam muito conforme o metabolismo: Neuropsiquiátricos (depressão, autismo, dormências); Dermatológicos (dermatites, mudança nos odores corporais, sudorese); Gastrintestinais (intestino preso, diarréia, gases); Baixa imunidade e até obesidade. Muitos relatam que após a retirada do glúten apresentam melhora desses sintomas. Talvez esse seja um dos maiores motivos para que esta opção, de uma nova alimentação, tenha vindo para ficar.

E os Lácteos? São derivados do leite, compostos por diversas proteínas (alfa-lactoglobulina, beta-lactoglobulina, caseína) que podem desencadear reações semelhantes à da SG. Além das proteínas, os lácteos podem ou não apresentar um açúcar chamado lactose, que no nosso corpo é “digerido” por uma enzima, a lactase. No Brasil um estudo mostrou que 80% da população possui intolerância à lactose, mas nem todos apresentam sintomas quando expostos a lácteos.

Alergia ao leite ou intolerância a lactose

Devemos salientar que são quadros diferentes. Na alergia à proteína do leite de vaca, o paciente poderá apresentar sintomas: Locais (intestinais): diarréia, distensão abdominal, inflamação da mucosa intestinal e/ou Sintomas sistêmicos: depressão, autismo, hiperatividade, urticária, sintomas respiratórios. Na Intolerância à lactose ocorre mais sintomas locais.

Vale ressaltar que a retirada do glúten e dos lácteos deve ser feita sob supervisão. O médico deve diagnosticar a alergia ou intolerância, só depois que se inicia a retirada. Esta supervisão é essencial por um simples motivo: a retirada desses alimentos, sem orientação, leva o paciente a escolher alimentos substitutos que apresentam alto índice glicêmico (ex. farinhas de arroz, de mandioca, de milho, fécula de batata, macarrão de cereais). Caso não exista uma combinação adequada visando uma redução da carga glicêmica da refeição, o paciente ganhará peso ao invés de eliminar, além de perder nutrientes. Somente o nutricionista será capaz de adequar a dieta às necessidades do paciente.

Frederico Lobo é médico do Instituto de Medicina de Goiás e da Clínica de Ecologia Médica em Brasília.

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