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Obesidade infantil: a responsabilidade é de quem?

A obesidade infantil é um problema sério. Hoje, uma em cada três crianças brasileiras com idade entre 5 e 9 anos está acima do peso. A obesidade na infância traz consequências sérias como diabetes, hipertensão, doenças cardíacas, entre outras que podem se manifestar ainda na infância ou na idade adulta.

Um dos principais motivos para o aumento na epidemia da obesidade é o aumento do consumo de alimentos industrializados ricos em açúcar, gordura e sódio. Estamos falando de biscoitos salgados e doces, chocolates, balas, refrigerante, suco de caixinha e fast food, as chamadas “guloseimas” ou “junk food”.

Muitos fatores estão envolvidos na epidemia de obesidade infantil que vivemos hoje, dentre eles a publicidade destes “alimentos” industrializados. Por isso, a regulação de publicidade de “alimentos” destinados a crianças é proposta por órgãos como a Organização Mundial de Saúde como estratégia para a redução da epidemia de obesidade infantil.

O tema é polêmico. Há quem discorde que o Estado deve interferir nessa regulação, cabendo aos pais ou responsáveis a tarefa de educar as crianças e moderar o tipo de informação que chega aos pequenos. Por outro lado, muitos acreditam que o Estado deve interferir no que a indústria alimentícia anuncia para crianças, pois elas não têm maturidade para decidir o que devem consumir.

Na minha opinião, o papel dos pais em escolher e comprar os alimentos que serão consumidos em casa é muito importante para garantir a formação de hábitos saudáveis nas crianças. Talvez mais importante do que a regulamentação do que é anunciado para elas. Entretanto, a educação não exclui o dever do Estado em regular os anúncios direcionados aos pequenos.

Os anunciantes são espertos e sabem que as crianças influenciam a maior parte das decisões de compra das famílias e que anunciar para o público infantil significa fidelização de futuros consumidores. Não podemos negar que é tarefa difícil para os pais lutar contra personagens coloridos e chamativos estampados nestes “alimentos” (que de alimentos não tem nada segundo a definição do nosso Guia Alimentar) ou fast food que vem com o personagem do filme de sucesso no cinema.

A regulamentação da publicidade infantil já acontece em outros países. Na Suécia é vetada qualquer tipo de publicidade para crianças. Outros países, como Alemanha, Inglaterra, , Espanha e Canadá também têm restrições severas contra a publicidade para crianças. O Chile proibiu, recentemente, qualquer publicidade de junk food destinada a crianças menores de 14 anos, como venda casada – que é quando um ovo de chocolate vem com brinde dentro, por exemplo.

Para quem quer saber mais sobre o assunto e conhecer gente que luta pelo fim da publicidade infantil, visite o site Criança e Consumo.

Saiba mais:

 

juliana francoAutora: Juliana Franco é nutricionista formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Seu interesse pela relação entre nutrição e a prevenção de doenças a fez dedicar grande parte de sua carreira à pesquisa.  Durante o mestrado e o doutorado, na UERJ e o pós doutorado, nos Estados Unidos e na UFRJ, pesquisou a importância da nutrição da gestante e da criança na primeira infância sobre a o comportamento alimentar e a obesidade no futuro. É apreciadora de comida regional, faz questão de experimentar tudo em qualquer lugar que visita. Juliana não sai da cozinha e gosta de prato cheio e colorido.

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